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quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

E as pérolas continuam....

Por Fernanda Ferreira

E as pérolas continuam...

Numa roda de amigos, uma amiga vira para outra e diz: "vamos à praia, porque meu marido vai ficar trabalhando depois eu retorno para dar um pouquinho de atenção a ele e pegar mais um dinheirinho..."

Por outro lado o marido responde, num tom irônico: "é, alguém tem que trabalhar para sustentar a casa..."

Parece mais uma daquelas brincadeirinhas entre casais, inofensivas e que não representam outra coisa a não a repetição do simples clichê masculino, que idealiza o homem provedor e a mulher submissa.

Contudo, não ficamos por aí não, o diálogo ainda se prolonga e uma mulher se gaba para outra, como conseguiu no início do relacionamento segurar seu marido, e agora com umas bebidinhas a mais na cabeça, confessa a ele o quanto ele foi inocente acreditando que ela era tão pura daquele jeito...

Pois é, literalmente o difícil é mais valorizado, porque ao invés de se sentir lesado ele confessa que se sentiu lisonjeado afinal, sua mulher soube fazer o ritual, e parece que não há nada de banal em querer conquistar as coisas, ainda que essa coisa seja sua futura esposa, mãe dos seus filhos. 


Pára tudo! Mas o que é isso, é assim mesmo a velha máxima da profissão mais antiga do mundo institucionalizada de tal forma que se constituem famílias neste ciclo???

Enquanto mulheres precisarem permanecer nesses rituais de joguinhos amorosos, se fazendo de caça para seus homens, continuarão a criar seus filhos assim e o ciclo jamais terá fim...

Será que há um certo charme nessa rotina frenética, que sinceramente me desanima na arte de seduzir?

Por que a sedução não pode ocorrer naturalmente, precisamos ludibriar o outro para aproximá-lo nos fazendo de troféus prontos para serem conquistados e depois expostos em sua galeria da vitória?

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