Reverbera Comigo

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Vem!

Por Fernanda Ferreira

Vem, 
quando eu disser que quero você, então, vem!

quando eu olhar, retribui e vai além, 

vem!
pega meu sinal e lambe meu prazer, 
vem!
não pense muito se não a consciência da loucura vem e aí tudo pára...

vou perceber que estou me oferecendo e talvez tal certeza não quero não...
vem! 
me pega aqui sobe em mim...
vem! 
vamos desbravar o encontro de almas aflitas por prazer...
vem! 
vamos bailar todo o tempo que nos resta um sobre o outro sem dramas, sem culpas...
vem!

Malvado

Por Fernanda Ferreira

Ah, então é assim... safado, 
me acende e me deixa aqui...malvado,
me encharca e diz que vai partir...
vem, 
termina antes o que começou...
vem, 
apaga o fogo que ainda não queimou...
Ah, então é assim...cachorro, 
provoca me beija a boca e sai...
me envolve e me nega...
Calma, 
não vai assim, 
me envolve deixa louca e não conclui...
sapeca minhas partes e parte sem mais, nem porque...
não, 
não admito, lambe aqui meu umbigo...
enfia tua mão me liberta,
não me deixa terminar sozinha o que só para você eu guardei...
Ah, então nem assim, moleque, 
com toda essa lascividade, 
me encheu de vontade e num rompante me deixa carente, molhada, e sai...
Ah, então nem assim, bandido,
não vai, é pra voltar e socar sua arma em mim...
safado, não vai me pegar?
sério?
vai me deixar gritando por ti, subindo muros de prazer??

O mundo somos todos nós.

Por Fernanda Ferreira

O que me importa o que há no mundo, se tudo que me basta cabe nesse quarto agora?
cabe no seu toque, no seu olhar e isso me basta?

o que me importam as experiências passadas se o que significa realmente beija minha boca e me faz ficar assim, boba?

o que me importam as ilusões que deixei de viver com outros se minha realidade agora beija minhas partes e me faz estremecer?

o que me importam os que deixei de conhecer se explorando seu corpo agora desbravo o mundo todo e isso me basta?

viver na expectativa do que esta por vir, limita a fruição do que tenho aqui, pronto, único, verdadeiro e real...

as pessoas ficam no contentamento do que gostariam e esquecem o que deveria importar.

as relações amorosas tornaram-se contatos virtuais, distantes, e fugazes apenas.

o excesso de informações fez com que as pessoas simplesmente abrissem milhares de abas e como tal ficam/vivem superficialmente cada aba sem delas aproveitar tudo de melhor.

Esquecem que o tempo é único que assim também os são as pessoas...

Nessa busca frenética da próxima aba, da próxima informação esquecem de vivenciar, de sentir, ou até mesmo simplesmente contemplar tudo que tem aqui...

mais pessoas agitadas, neuróticas, ansiosas com o que estão perdendo não percebem que estão perdendo exatamente o que estão deixando de ganhar, de viver...

e viver é tão fácil, é tão simples, é tão importante...

quando não for mais importante o que eu tenho ou o onde estou as relações serão mais fáceis a vida será mais fácil.

tudo será palpável, nós vamos nos bastar sem usar a filosofia da mediocridade para justificar nossa exclusividade e dedicação; mas sim porque o mundo somos todos nós em sua plenitude.

Meu afrodisíaco

Por Fernanda Ferreira

O que mais me faz falta, o que é afrodisíaco para mim é atenção,
não aquela desmedida que sufoca e derruba, ofusca o outro,
não, esta não,
é sim a outra, aquela de quem se preocupa,
genuinamente sincera, aquela honesta, que se comprova através dos pequenos atos das pequenas ações transformadoras.
naquele pequeno ato de perceber que você não come bordas e ao fazer um sanduíche retira as bordas para você...
aquela atenção que não se implora, é espontânea, chega se faz presente em seu dia e te deixa perto, bem perto de você mesma,
porque te deixa plena, nada mais lhe falta, não existe a falta de algo...
a atenção que reclamo, não o faço por carência, por precisão de amor...
não aquela que preenche minha carência e supre essa dor...
mas a atenção generosa aquela que não cobra a conta quando não é correspondida na mesma proporção...
a atenção humana que se preocupa com meu coração...
quero a atenção desmedida não aquela contida,
nem aquela que controla minha vida mas que faz parte dela e basta!
Ah, insensato coração, você sempre cuidou de mim, porque dormiu agora??

Lamurias

Por Fernanda Ferreira

Eu rompi com o mundo por você, 
eu cedi espaço em meu coração e isso foi pouco pra você...
Eu me fiz sua menina para caber no pequeno vão do amor que me entregou...
Se já sabia que não viria por mim, 
Se já sabia que não me amaria tanto assim,
Por que usou todo seu encanto para me deixar aqui, largada, isolada neste canto??
Que satisfação é essa de me jogar no chão, sumir no mundão...



Cede pra mim...

Por Fernanda Ferreira

Cede pra mim o seu tempo, que eu quero preencher...
Cede para mim seus ouvidos, que eu quero dizer...
Cede pra mim seu alento, que eu quero carinho...
Cede pra mim seu destino, que te mostro o caminho...
Cede pra mim sua chance, que vou te fazer feliz...
Cede pra mim seu abraço, que eu vou me acolher...
Cede pra mim seu amor, que vou corresponder...
Tenta vai, acredita em mim,
Cede pra mim sua melhor versão, que lhe dou todo o mundo...
Cede, vai...
 

O ensaio de uma volta

Por Fernanda Ferreira

Eu não quero ficar com alguém porque é mais fácil,
eu quero ficar com alguém porque a chama ainda arde,
porque os corpos ainda queimam,
porque nossa história valeu a pena,
porque nossa alma não é pequena...
porque você também quer...
porque você também já ensaiou mais de um milhão de vezes, nossa volta...
porque você também sentiu o vazio de nossas vidas sem nós...
o silêncio na alma sem nosso aconchego...
sem nossos pormenores... 
sem nossa... volta...

Sai!

Por Fernanda Ferreira

Pega suas roupas agora e sai!
vai embora porque eu quero viver, 
pega suas coisas, agora não é hora de me querer...
pega seu sorriso e vai, 
sai! que eu vou superar...
pega seu amor, desamor e vai, 
sai! porque eu vou te esquecer...
lembre, não deixe nada que é seu, 
sai! me deixa viver...
segue seu caminho contente e sente a dor que deixou em mim...
esquece!!
como pôde esquecer??
esquecer meu olhar que era só seu?
como pôde seguir sem me dar o amor que me prometeu??
segue assim mesmo, sem remorsos, leva tudo, não me importo, vou me reerguer...
pega suas memórias, pois, minhas lembranças vou esquecer...
segue seu caminho, sozinho quer me fazer crer...
segue com sua coragem, vontade de me perder...
não volta seu olhar pra mim, 
me deixa aqui, agora vou sofrer...
segue teu luto, que o meu eu vou viver...
dói, o ouvir dos teus passos seguindo...dói...ainda...
eles caminham para a porta de saída...
dói pensar que um dia foi sua entrada...
dói, ver essa lágrima rolar dos seus olhos,
dói, saber que não vai lutar por mim...
que não vai gritar por mim, por nós...
que não vai implorar pra ficar...
dói, ver que seu olhar não se perde mais por mim, 
dói, sentir a frieza que sorrateiramente se instalou, 
dói, esperar uma atitude sua e nada ocorrer...
dói, a indiferença, a distância.
como pôde você, ignorar nossas promessas e nossos planos e seguir?

O dia em que o menininho cresceu...

Por Fernanda Ferreira

O dia em que o menininho cresceu...
Um dia o menininho descobriu que podia andar sozinho e que sozinho poderia ir onde quisesse, poderia ser o que quisesse, poderia vestir o que quisesse...
um dia aquele menininho cresceu, e quis escolher sua própria comida, achou que poderia comer o que quisesse...
um dia o menininho descobriu que já era um homenzinho, percebeu que o mundo lhe pertencia, e que o mundo poderia ser dele, se ele quisesse...
um dia ele sorriu para quem lhe cuidou, quem lhe deu até o que não tinha, quem lhe criou e com um abraço de ternura, um sorriso de travessura se despediu e partiu...
um dia aquele menininho inseguro, assustado criou coragem arrumou sua bagagem e partiu...
um dia ele pegou todos seus sonhos, sim, ele começou a tê-los próprios e se foi...
um dia ele creditou sua vontade e fez dela verdade e se foi...
deixando ali quem lhe cuidou, largando ali quem lhe sustentou e sempre o incentivou...
um dia essa partida foi inevitável, 
um dia sua saída foi sentida e sua ausência não premeditada não preparada foi abruptamente trazida... 
éh, menininho, vejo você tão ao longe, tão disperso e encantado com o mundo a descobrir...
então, vai...já que aqui não lhe cabe mais...

Metade de amor...

Por Fernanda Ferreira

Não aprendi a dar meio amor...
não aprendi a amar pela metade não...
não vou dar metade do que tenho, porque tenho tanto para dar...
não sei chorar pela metade, meu choro é gritado, com a boca bem aberta,
me faltando o ar, esse sim é o choro da dor que sinto...
não vou contar meia verdade se é verdade você saberá por inteiro...
meu amor é inesgotável quanto mais eu der mais deveria receber...
porque se é inesgotável para mim deveria ser para todos também...
Ah, menina ledo engano...
as pessoas não são assim não...
santa inocência, o que é isso, pra que tanta crença??
crença de que um dia vai ganhar tanto quanto dá...
é fato triste, lamentável deveria ser reciclável, retornável, todo o amor que se dá!
mas só deveria, porque num mundo de tão poucas verdades, entregar tudo que se tem é
loucura, que louca eu seja então, se é o que me resta...
se é o me retribuem...que seja louca mesmo!!!

Aquela Estranha

Por Fernanda Ferreira

Aquela estranha me pertencia...
no mar de gente que a queria...
era eu...
apenas e somente eu quem a fazia sorrir...