Reverbera Comigo

sábado, 13 de julho de 2013

Qual foi a bifurcação que nos distanciou?

Por Fernanda Ferreira

Nas entrelinhas dos olhares que lançamos,
nas verdades que dissemos sem palavras...
nas entrelinhas dos ruídos que forjamos quando raramente nos amavamos...
no subentendido dos toques que não ameaçaram ocorrer...
nas intenções dos lábios que teimaram em não dizer...
nas ausências sentidas do abismo que criamos...
na distância entre a realidade que desenhamos e a que vivemos...
na angustia das meias verdades que criamos para justificar nossos erros...
na sinceridade das lágrimas que rolaram na escuridão do quarto...
na solidão do sono...da insônia... 
do romantismo esperado e sempre renegado...
das atitudes que esperávamos e que não nos permitimos...
das falsetas que criamos e projetamos aos outros e nós mesmos...
por tudo que se perdeu e se criou...
aos prantos hoje indago:
valeu a pena?
qual foi a bifurcação que nos distanciou?
por que seguimos por caminhos tão distantes e tão solitários??

Ainda...

Por Fernanda Ferreira 
Ainda quero ler pra você os poemas que escrevo,
ainda quero mostrar para você minhas conquistas...
ainda quero contar para você meus segredos...Ainda...
ainda tenho medo do que esta por vir...sem você aqui...
quem vai me consolar... quem vai me repreender quando eu falhar...
quem vai sem pretensões me aconselhar...
quem vai me preparar os cafés da manhã e me acordar antes da hora para juntos comemorar...
celebrar o dia que se renova...
celebrar o amor que amadurece...
nossos contos que se emolduram no tempo,
que vestem as roupas que nossos corpos teimam em não mais caber...
porque no passar do tempo, nos abandonamos, deixando de nos olhar...
e nossa visão tão turva não nos deixou ver o quão longe estávamos indo de nós mesmos...
você distante de mim eu distante de ti...cada qual na sua solidão particular, cada qual na sua angustia pessoal...
os sentimentos confusos, ainda teimam em doer, em fazer sentido, em nos fazer sentir...
nossa luta diária para reprimir nossa distância para ofuscar nossa ausência, não foi suficiente.
não nos deu de presente o conforto que tanto pedimos, que juntos imploramos...
ainda sinto seu ainda e saiba que é tão constante e verdadeiro quanto o meu,
porém não é o bastante...que pena!    

Nossas manhãs...

Por Fernanda Ferreira

Os sonhos tem prazo de validade, os ideais são fugazes, as pessoas são rasas....
onde esta aquele todo amor que me prometeu??
onde estão aquelas belas lembranças que me concedeu??
onde esta você quando louca só, me faço latente, implorando sua presença...
te buscando num olhar....ah, que loucura é essa, que busca no vazio dos seus olhos distantes,
um resquício daquele que um dia foi só meu...que um dia me pertenceu...
na superfície do que me oferece agora, devo matar minha sede...saciar meus desejos...
me sentir satisfeita?? NÃO! eu grito, sem receios, sem rodeios...
eu nego suas migalhas, eu não perdoou suas falhas...
agora, não!
sedenta do seu carinho, implorando sua entrega,
chega aqui e me nega, nega que não me quer mais,
nega que não te satisfaz este romper,
que seus lampejos, são apenas insegurança do que esta por vir...
medo do desconhecido recomeço...
recomeço sem mim, recomeço sem a gente...
recomeço sem mais do mesmo, sem nossa cumplicidade, sem nossa sintonia, sem nossa facilidade de agradar ao outro e saciar os rompantes da gente...
cede agora, assume que de tudo vai ficar nossa história, nossos segredos, nossa lembrança, nossas manhãs...

A saída que desenhamos...

Por Fernanda Ferreira

Observando o que passou e onde estamos agora,
não consigo definir exatamente quando se rompeu nosso laço...
confesso, não conseguir precisar nosso desencontro nesse descompasso...
nossa solidão tão doida e profunda...
fico me perguntando em que passo se perdeu nossa trajetória...
permaneço imaginando quando deixei de sentir o calor do teu abraço,
quando deixei de dançar no seu passo...
quando perderam sentido seus afagos...
quando ficamos assim, tão distantes...
confesso, que permaneço no seu compasso...
nele ainda quero dançar...nele ainda quero ficar....
fico buscando respostas que se perdem, ai meus Deus o que fizemos de nossa história??
que final é este tão triste que escrevemos,
que saída foi essa que desenhamos,
tão pequena e resistente,
me deixou de presente, infeliz, a dor que não me quis trazer no início que me prometeu curar no começo...
hoje sem pudor, me ignora, saí porta a fora e me deixa assim,
só, aqui no chão...sentida, sofrida...
me desconheço de fato, me perdi nesse compasso, não consigo mais sintonizar...
olha para isso, estou aqui, isso sou eu, quem diria, esse remedo de gente, sou eu...
agora tão ausente de mim...tão distante de mim...
tão longe da felicidade que um dia me prometeu...