Reverbera Comigo

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Ilusão

por Fernanda Ferreira

estou revivendo sentimentos, relembrando velhos momentos e situações, as circuntâncias não foram fáceis, tentei acertar e errei, busquei entrar e sai, quis fazer parte me excluiram, simples assim, me deixaram de fora, olhando bem dentro de mim, não consigo encontrar aquela esperança, aquela criança, que crente na bondade humana, não desiste de seus sonhos, e faz deles, cada um deles realidade...traz para a realidade...a verdade, que criou...a verdade que imaginou ser de todos...ser real...mas não era...as pessoas são o que são, ah, mas que frase tão batida...mas que frase tão curtida...e é verdade, enxergam apenas suas necessidades, se escondem da felicidade de compartilhar, da alegria de viver...cadê aquela mocinha que sozinha fez desabrochar a doçura do saber, a doçura do olhar...nunca esperei muito das pessoas, mas esperei sinceridade e simplicidade, nunca cobrei nada das pessoas, mas esperava lealdade...nunca pedi nada para mim, minha amizade era genuinamente honesta e gratuita...nunca fiz dela moeda de troca, nunca estipulei um preço, somente o valor que ela tinha, a importância que ela representava, e quanto custa isso, afinal? quanto custa o amor? quanto custa estar presente e no silêncio dizer tudo que sente? e não desamparar quem ousou te procurar, te pedindo ajuda, te pedindo a mão?

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Esta em falta...

por Fernanda Ferreira

Hoje precisei de atenção...
hoje fiquei só...e pedi atenção...
hoje...passei o dia pensando...sofrendo...
hoje revivi sentimentos...lamentos...
fui em busca de pessoas...fui ao encontro de carinho...
éh, tristemente, logo hoje estava em falta...rss
houve uma grande demanda e todo o estoque se foi...
estava em promoção, estavam liquidando, e como cheguei atrasada,
acabou! simples assim, acabou!!!
hoje, fui em busca de sentir, em busca de viver...
infelizmente, também esgotaram os estoques...
a felicidade, produto de primeira necessidade se esgotou...
acabou rapidinho, quando viram que era para mim, as lojas até fecharam...
elas não podiam me fornecer é produto de suma importância...
é um bem essencial, é necessário para mim e me foi negado...me foi escondido...
me deixaram sem...quem manda acreditar nas pessoas...

É possível

por Fernanda Ferreira

Quando me perguntam, digo sempre ainda não...
como se esse ainda, tivesse o poder mágico de fazer ser possível...
de deixar ser possível, tudo que eu quisesse ter...
quero sentir a magnitude de realizar um sonho...meu sonho...
sei as possibilidades e mensuro os resultados de cada ato...
por isso é tão injusto, por isso é tão triste, por isso é tão absurdo...
a tentativa insana de justificar uma vontade humana,
a expectativa louca de achar que é possível...
crio expectativas, vivo nelas e com elas sigo...
me escondo nelas e por elas crio forças para seguir...
a expectativa é real, é social e cultural...me fazem chorar...
me fazem esperar nelas também, mas ...
...mas, será que são possíveis??

Lugar comum

por Fernanda Ferreira

Eu quis revisitar um lugar, contudo esse lugar era comum...
era simples e modesto, mas me fazia feliz...
era perto e arriscado, mas me fazia sorrir...
era oculto e tranquilo, mas me deixava completa...
lembrei dos momentos que vivi, e fantasiei ser possível revivê-los,
quanta ingenuidade, quantos devaneios...
ah, querida porque se ilude assim...
ah, querida porque se expõe assim... 
o lugar que tentei retornar não esta mais lá,
o lugar que busquei amparo, não esta mais lá...
me deixou em ruinas...a essa altura não sei mais se as ruinas são minhas ou do lugar...
as marcas que deixou, ainda estão visíveis,
ainda são tão pungentes...ainda fazem tanto significado...
sinto tudo ruir...o caminho segue, o tempo passa...
e quando revi aquele lugar acreditei que ainda me pertencia...
acreditei que ainda poderia ir lá...
acreditei que ainda era meu, lugar comum...

domingo, 23 de setembro de 2012

Saudade insana

por Fernanda Ferreira

Que saudade insana, louca...
vem, deita cama...beija minha boca...
me faz delirar...
olha nos meus olhos, me engana...
não deixa passar o tempo... me ama...
vem me acalmar...

Desengano

por Fernanda Ferreira

Quando foi que fazer mal aos outros virou lei?
quando foi que fingir gostar virou regra?
quando houve a limitação da minha escolha?
quem autorizou a manipulação da minha vontade?
quem minou meu discernimento?
é fácil lançar ao mundo a frustração de ser quem sou...
é fácil jogar aos outros a responsabilidade das escolhas que faço...
das iniciativas que tomo...
é fácil...
o mundo conspira, as pessoas descrevem que a sorte lhe faltou...
ficam alheias às suas próprias vidas...
às suas próprias decisões...
chega! Assuma, se esta bom ou ruim foi você que escolheu...
foi você que chegou...não foi o mundo, não foram os outros...
foi sua conveniência momentânea, foi sua mesquinhez humana...
foi seu hábito de não se envolver...

Desculpa...

Por Fernanda Ferreira

Ah sim, agora pedir desculpas muda tudo...
conserta o mundo...
salva a humanidade...
quanta hipocrisia...quanta sacanagem...
pedir desculpa desfaz o erro...
evita a tragédia...
sê tá brincando??
virou comédia??

Vitória

por Fernanda Ferreira

A vitória esta escrita...acredita na vida...
busca teu caminho...
sai da sua zona de conforto que limita teu olhar...
luta pelo que é seu...
siga em frente...continue a nadar...
continue a nadar...

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

por Fernanda Ferreira

As vezes o que se espera não é a reação e sim a ação, essa sim faz a diferença e surpreende e renova o olhar e revigora a alma...
"Ela demonstrou tanto prazer
De estar em minha companhia
Eu experimentei uma sensação
Que até então não conhecia
De se querer bem
De se querer quem se tem..."


Lulu Santos
por Fernanda Ferreira

as vezes ao procurar um ideal, a gente não enxerga o que tem no caminho...e de repente no caminho o ideal já esta ali...pronto...melhor...denso...completo...

Hábito

sábado, 1 de setembro de 2012

Eu sou de uma época...

por Fernanda Ferreira

eu sou da época em que aluno ficava quieto quando professor entrava na sala...
hoje é o professor que precisa silenciar quando o aluno atende o celular no meio da explicação de matemática...
eu sou da época em que meninas ficavam horas, trocando e curtindo seus papéis de carta...
hoje, o máximo que trocam são indiretas e farpas em suas páginas na internet...
eu sou da época em que homem tomava cerveja e mulher cozinhava...hoje, meu marido cozinha com amigos e trocam receitas, enquanto as mulheres conversam e saboreiam seus drinks na sala...
eu sou de uma época, em que minha mãe tinha vergonha e medo de falar sobre sexo comigo, já aos 18 anos...
hoje as mães ajudam suas filhas de 14 a escolherem as melhores camisinhas... e as incentivam a dormir em casa com seus namorados para que fiquem mais seguros...
eu sou da época, em que bastava um olhar da minha mãe para entender que eu estava de castigo...
hoje as mães em sua insegurança tamanha entopem seus filhos de afazeres para que ao ocupar seu tempo não precisem mais castigá-los...
eu sou da época em que ter telefone fixo era praticamente a mesma coisa que ter carro em casa, sabe, coisa de rico...
hoje não só temos o fixo, como ainda, celulares, internet, e quantos carros quisermos...
eu sou da época em que brincar de esconde esconde, pega pega...tocar a campanhia dos outros e sair correndo era normal...
hoje cada um fica na sua jogando seu próprio xbox ou jogando on line sem nem ao menos saber quem esta do outro lado...
eu sou da época em que na escola passavamos um caderno com perguntas tentando falar entre outras coisas, de sexo, para conhecer melhor nossos amigos e nos relacionarmos...
hoje na era das redes sociais é cada um por si, postando o dia inteiro frases feitas que em sua maioria refletem apenas a solidão e angustia de ser que no fundo são...
eu sou da época em que havia uma certa formalidade entre as pessoas...
e hoje todo mundo se trata por "você", usam e abusam de gírias, em qualquer lugar com qualquer nível cultural, social...
eu sou da época em que criança não se metia em conversa de adulto, devia ficar num canto brincando com seus brinquedos e não podia mexer em nada na casa dos outros...
hoje a criança invade sua casa, fuça em seus pertences...e conversa sobre tudo, permanecendo na roda dos adultos, frequentando suas festas, barzinhos, baladinhas...

eu sou da época em que tinha roupa de sair e roupa de ficar em casa...
hoje é normal se usar salto alto para lavar pratos...
eu sou da época em que as meninas escreviam em seus diários seus segredos mais secretos...
hoje é comum fazer postagens expondo todas suas intimidades no facebook...
eu sou da época em que crianças ganhavam presentes apenas em seus aniversários e natal...
hoje em qualquer circunstância somos presenteados...
eu sou da época em que se podia tomar apenas um danone por dia...
hoje a própria criança é quem faz sua dieta...
eu sou da época em que meninos não usavam rosa e meninas não jogavam futebol...
hoje é aclamado e bonito "ser" bi...como se sua opção sexual estivesse ligada a cor de sua roupa ou a que tipo de esporte praticam...
eu sou da época em que ser batizado, fazer a 1ª comunhão, ir a missa aos domingos fazia parte de um ritual por todos...
hoje em dia é comum assumir que se é ateu ou agnóstico...
eu sou da época em que os alunos tinham medo de ficar no banheiro da escola por causa da loira...
hoje é comum se tirar fotos do espelho daqueles banheiros...
eu sou da época em que os alunos do colegial eram os mais populares da escola...
hoje aos 9, 10 anos se destacam no grupo...
eu da época em que a única celebridade que falava palavrão na tv era a Derci Gonçalves...
hoje até os programas matinais já aderiram...
eu sou da época em que beijo em novela era apenas o suave toque de labios...
hoje exibem suas linguas e simulam sexo sem o menor pudor...
eu sou da época em que o aluno fazia lição de casa, abria barças e enciclopédias para estudar e tinham medo de ser reprovados...
hoje o aluno dita as normas escolares, com a consciência de que são clientes da escola, agora que exercem o papel de empresas...nas quais os alunos são aprovados por receio de que não renovem suas matrículas...

Tais memórias se fazem gritantes neste momento, não por ser de todo saudosista e sim pelas transformações culturais as quais passei e a sociedade passou nos últimos anos...

Fernanda Ferreir