Reverbera Comigo

domingo, 21 de outubro de 2012

A minha casa...

por Fernanda Ferreira

Quero que as coisas fluam...
com o passar do tempo vai doer menos,
vai significar menos, vai fazer menos sentido...
e ainda, no caminhar das semanas
no sentir do peso das horas...
sei que vai passar...sei que vai sair...
essa angustia lancinante...essa mágoa sufocante...
que me consomem...
mascaro o ruir a minha volta...
faço das minhas ruinas, esperanças...
refaço meus ideais de criança...
e busco reconstruir,
vou começar pelo alicerce...
solidificar meu espaço...devolver minha identidade...
as paredes serão coloridas...
demonstrarão minha vida...
deixando o entusiasmo florescer...
o telhado será de vidro...deixando refletido somente aquilo que me faz sorrir...
vou enxergar o sol, vou ver os gritos da chuva...
o piso será de veludo para amaciar meu caminhar...
para amortecer minhas quedas...
para me motivar levantar... 

sábado, 20 de outubro de 2012

Eu me basto!

por Fernanda Ferreira

Quando estou só de gente, fico repleta de mim mesma,
não me sinto só, eu me basto!
pena de quem não me conhece,
pena de quem não me vê...
sentiria a imensidão do meu amor...a gratidão no meu olhar...
sentiria a dimensão do meu sentimento...
o se entregar com alento...
sem medo de não ser correspondida...
sem o receio de ficar perdida na imensidão dos afagos,
no desejo de usufruir a vida
de sarar a ferida...que latente ainda teima em doer...

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Sou gente, também choro...

por Fernanda Ferreira

Não vou mais fazer, não...
não vou mais fingir, não...
não quero ser mais aquela que mente...
vou brincar de outra agora, brincar de ser gente...
gente capaz de sentir...
vou me permitir dizer...não vou mais esconder...
tudo que me fez foi muito ruim.
me deixou sem chão, me deixou sem sal...
posso me permitir sentir aquilo que os humanos sentem,
aquilo que pessoas de verdade sentem, e vou reagir como elas reagem...
vou sair desse mundinho fantasioso e imaturo...
que me protegeu bastante, mas que me isolou também...
me fez refém da pessoa forte que criei...
chega, não vou mas ficar aqui...vou me rebelar, vou sair...
gritar ao mundo que eu existo...gritar aos quatros cantos e a quem interessar que eu tenho sentimentos...
sim, eu os tenho e que dói quando me agride, dói quando me faz mal...dói quando me deixa...
dói...

Aquele lapso

por Fernanda Ferreira

Foi bom enquanto durou
dói demais saber que tudo passou
que o sentimento secou
que a ilusão acabou
que chegou ao fim nosso amor,
dói, constatar que não foi sincero,
dói saber que nunca houve verdadeiro elo,
foram apenas devaneios, sonhos, fantasias criadas
no vazio do meu mundo, alimentadas por você
até que ponto me deixou ver, até que ponto chegamos
se já não doeu demais, insisto nesse olhar para trás e ele me mata,
acreditei que era real, pensei não haver igual,
e me permiti chegar até aqui,
e agora estou jogada, me sinto de certa forma aliviada, por confirmar que tudo aquilo que via no seu olhar não era loucura minha, aquele vazio, aquele cinismo, aquela hipocrisia,
ah, como é bom saber que de todo não enlouqueci,
posso até por um momento ter duvidado de mim, mas no fundo eu sabia, lá no fundo eu sentia, que a verdade era só uma, era sim, aquela lacuna, aquele lapso...que fica...
quantas lamurias, menina, quanta amargura...
levanta...sai desse abismo pois ele não te pertence mais...
sai...vai pra vida...pois esta sim, apesar de fugaz, te pertence! É tua!

domingo, 14 de outubro de 2012

Meu cantinho da bagunça

por Fernanda Ferreira

É fato, todo mundo tem na sua casa um cantinho todo seu da bagunça...
da sua bagunça...
eu também tenho...meu cantinho da bagunça...
minha bagunça particular, aquele lugar no qual escondo tudo que de alguma forma me traz recordações,
memórias boas, outras ruins mas que não conseguimos nos livrar...
que de alguma  maneira parece que vamos utilizar e precisamos saber que estarão ali...
bem ali, prontas para nos dizer algo, para nos trazer algo, para ter significância.
Mas nesses dias que seguem minha bagunça interior esta me consumindo, esta me sufocando,
esta em todo lugar...
o que fazer, então? como não ser sucumbida pela magnitude que dei a minha bagunça...
como afugentar aqueles anseios e medos e temores que me fizeram parar...
tentei ocultar aqueles amores mal resolvidos...aquelas dores que não cicatrizaram,
e no que deu??
estou eu aqui sendo ultrajada, me sentindo sufocada pela bagunça que guardei,
pelos sentimentos que ocultei, pelas mágoas que vêm à tona...
como sair, e agora como vou fugir dessa minha bagunça?