Reverbera Comigo

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Da proliferação das Uni's

por Fernanda Ferreira da Silva

A educação de base no Brasil esta desestruturada, é verdade infelizmente, agora, em razão disto diminuir a abertura de novas universidades responsabilizando a chamada proliferação das Uni's como sendo a causa da deseducação atual, é no mínimo miopia.

Miopia, sim, porque só consegue enxergar um palmo a sua frente e não vê ao longe a causa real de tamanho despreparo dos alunos, o analfabetismo funcional difundido em nossa sociedade como culpa individual é lastimável, porque nem só o professor é responsavel como também nem só o aluno é culpado.

Decerto, deveriamos compreender que a educação escolar e acadêmica é desenvolvida e planejada através de um sistema, tal sistema esta defasado há tempos, por quê? É o questionamento que se faz.

A quem interessa o analfabetismo funcional?
A quem interessa a facilitação da ausência de senso crítico?

É sabido que um sistema educacional competente, faz de seus discentes pessoas críticas, pessoas verdadeiramente racionais, detentoras de um poder ímpar.

Poder este, que determina o nível de crescimento de um País, incentivando a pesquisa, o aprimoramento educacional e por essa razão qualificando seu governo, de tal sorte que consiga cumprir seu dever primeiro, que é retribuir em prol da sociedade todas as expectativas que lhe foram depositadas, como saúde de qualidade, segurança real e finalmente, e não menos importante, uma educação generosa, realmente significativa e capaz de formar cidadãos que conheçam seus direitos, poderes e sobretudo deveres.

O Brasil vive de aparências, parece um paraíso, parece tropical, parece sem violência, parece hospitaleiro, parece educado, parece, parece e parece...parece o palhaço que se maqueia sorrindo, enquanto por dentro esta em frangalhos, sofrendo...

A quem interessa a maquiagem do fim do analfabetismo?

A quem interessa a maquiagem da erradicação da pobreza?

Simples, interessa a quem mantém e perpetua a ideologia da distância, de encarar como risco a abertura de novas universidades, da liberação de cotas afirmativas, de programas como prouni, com base na informação ou desinformação de que as pessoas que foram mal educadas até o momento não merecem fazer parte desse universo acadêmico, por que tal prática defasaria o ensino da graduação.

Ora, se o ensino de base esta ruím, busquemos alternativas para aperfeiçoar o ensino acadêmico, a fim de remediar o efeito, não cheguemos neste ponto e cerramos as portas da graduação porque o aluno não esta preparado.

Isso sim é aviltante, é absurdo!


Nunca é tarde para começar, nunca é tarde para aprender...

Se o ensino da universidade possui um processo educacional competente, assim teremos profissionais, entrados semi alfabetizados, saídos transformados de tal sistema, que gerarão novos trâmites no futuro construíndo uma educação inicial de qualidade, capaz de incutir no discente o prazer pelo pensar, pela reflexão, pelo discernimento.

E discernir é preciso!
Aprender a discernir é fundamental para o amadurecimento da sociedade!

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