Reverbera Comigo

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Ele se matou...

Por Fernanda Ferreira

Simples assim, um suicídio e não seria só mais um, não, não seria de uma pessoa qualquer, mal amada, que não despertava o interesse de ninguém, não, não seria assim.

Foi dele Robin Willlians, ator, grande profissional, que se foi da vida deixando um legado de arte, sensibilidade e gargalhadas.

Foram muitos os seus filmes, foram tantos personagens, foram tantos sentimentos que já não lhe cabiam mais. Ficou insuportável.

E dessa maneira deprimente se vai o homem quebrado e doente na alma, sozinho, solitário.

Onde estavam seus amigos que não viram?

Onde estava sua família que não enxergou a ausência de brilho em seu olhar?

Onde estavam seus fãs, seus heróis?

Onde estava a plateia?

Saiu da vida deixou chocado quem nunca pensou nele como alguém com sentimentos seus e não dos personagens que brilhantemente interpretou.

Saiu da vida ele que fazia rir com uma caretinha singela de amor.

É, nessa tumultuada vida, com tantas mágoas escondidas, não estamos todos na iminência de um suicídio?

Não estamos todos na rota do silêncio e ocultação do que é singelo, do mais honesto dos sentimentos que é se sentir aceito, sentir-se acolhido?

Nessa vida social, estamos perdendo a chance de nos socializar, estamos perdendo a chance de nos perdoar, e estamos seguindo doentes, cansados, reticentes, e onde estão aqueles que curtem e comentam nossas postagens, onde estão?

Talvez também sós curtindo suas dores, no silêncio de páginas e páginas de vida de gente, que não se reconhece presente, naquela fantasiosa vitrine de tudo posso, de tudo devo...

Onde estão as pessoas afinal? Onde estão os nós que tanto queremos onde estão os humanos de verdade, que curtem nossa tragédia diária, se fazem presentes em seus comentários maliciosos, apenas, onde estão todos se não na visualização fria de suas selfies inusitadas atendendo a desafios incoerentes, evidenciando contumaz o sentido ausente de qualquer apego ao próximo, atenção ao amigo, respeito a si próprio?

A contrariedade do que é natural em nós se faz tão gritante, pois a solidão nos invade e a multidão nos aplaude.

Onde estavam os milhares que fizeram homenagens póstumas, bem sinceras é claro, mas que não viram que ali, restava um homem, que solitário se sentia?

No mar de selfies que postamos, quem enxerga nosso olhar, quem se importa com nosso sentir afinal?

No infinito de amizades novas que adicionamos quem atende ao pedido de socorro, que alguns silêncios nos impõem?

Que façamos uma reflexão para que a morte de um homem que morreu para parar de sofrer em vida, sozinho,  não seja de todo em vão, que não apenas lhe baste sua morte, mas a vontade de socializar não nos falte, não nos moldes atuais, mas nos primitivos, do toque, do afago, do apego, do real... 

Que possamos nos mostrar frágeis sem sermos atacados por isso, que possamos ter medo sem sermos queimados por isso.

Que possamos ser humanos, apenas, animais sociais que somos! 

Nenhum comentário:

Postar um comentário